É muito comum a gente ler em rótulos de vinhos que o produto foi envelhecido em barris de carvalho. Mas como isso altera o sabor do vinho e o que esperar de um rótulo que passou muito tempo em barris?

Bom, vale voltar na história  e lembrar que, antigamente, os vinhos eram fermentados e vendidos em barris, algo muito raro nos tempos de hoje. Isso porque se descobriu ser mais higiênico e produtivo fermenta-los em tanques de aço inox e, segundo, porque garrafas são mais fáceis de serem comercializadas.

Mas ainda assim, é comum que o vinho passe pelo barril de carvalho em alguma fase da sua fabricação, o que chamamos envelhecimento.

O envelhecimento em barris traz três consequências para o vinho: 1) aumenta sua intensidade, 2) modifica sua textura e 3) adiciona aromas.

Intensidade do vinho

Parte da água e outros compostos do vinho são absorvidos pela madeira de carvalho, o que faz o vinho ficar mais concentrado e aumentar, por exemplo, o nível de álcool do vinho.

Textura

Por causa da porosidade da madeira, o vinho no barril continua tendo contato com o oxigênio do ar, o que encadeia algumas reações químicas que transformam o vinho. Ele passa a ter um sentido mais “aveluldado” na boca, por exemplo.

Isso também ajuda na preparação de guarda do vinho. Ou seja, vinhos que passaram mais tempo em barris de carvalho, tendem a ter maior período de guarda.

Aromas

O carvalho é o responsável pelo aroma amadeirado do vinho, que na maioria dos casos, é um fator positivo para o sabor.

Como interpretar o rótulo?

Mas eu sei que você quer saber: afinal, como adivinhar como será um vinho a partir dessa descrição no rótulo?

Muito simples. Quando mais tempo o vinho passar por envelhecimento em barris de carvalho, mais forte ele será. Ele terá um teor alcoólico mais alto, sabores muito intensos e o aroma característico de madeira.

Vale lembrar que quanto mais tempo o produtor deixa o vinho descansando em barris de madeira, mais o processo de produção encarece, não só pelo custo dos barris (que são bem caros), mas também pelo custo de armazenamento e atraso de comercialização do produto. Logo, vinhos com muito tempo de guarda, costumam ser mais caros.

Jornalista, escritora, fotógrafa e blogueira profissional. Há anos apaixonada por vinho, já experimentou uma infinidade de rótulos, viajou a regiões produtoras, visitou vinícolas e voltou aqui pra contar.
Certificada pela University of Adelaide em World of Wine: From Grape to Glass.

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